Custo é a base de qualquer decisão de preço, e a maior parte das empresas pequenas erra por omissão, não por conta errada. Faltam o custo da hora do dono, a perda de material, a taxa do meio de pagamento, o tempo improdutivo e o rateio da despesa fixa. Cada item esquecido sai da margem.
Use o checklist abaixo para montar o custo real.
Custos diretos
São os que existem por causa daquela venda específica:
- Matéria-prima e insumos, com perda média incluída
- Embalagem e frete de compra
- Mão de obra de execução, com encargos
- Terceirizados do projeto
- Comissão de venda
- Taxa de cartão, boleto ou marketplace
Se a venda não acontecer, esses custos não aparecem. É esse o teste.
Custos indiretos e despesas fixas
Existem independentemente da venda: aluguel, energia, internet, folha administrativa, contador, ferramentas e software, marketing recorrente, pró-labore da administração.
Para embutir no custo unitário, faça o rateio. Duas formas simples:
1. Por receita: despesa fixa total dividida pela receita média mensal, resultando em um percentual aplicado sobre cada venda.
2. Por hora produtiva: despesa fixa total dividida pelas horas produtivas do mês, resultando em um custo por hora que se soma à execução.
Serviço costuma render melhor no rateio por hora. Comércio, no rateio por receita.
O custo da hora produtiva
Aqui está o número que mais falta. Um profissional em tempo integral tem cerca de 168 horas por mês, mas as horas produtivas, aquelas que podem ser cobradas, ficam entre 100 e 120. Reunião interna, proposta, retrabalho, deslocamento e administração consomem o resto.
Custo da hora = (remuneração mais encargos mais rateio de despesa fixa) ÷ horas produtivas
Se o custo total de um profissional é 9.000 reais e as horas produtivas são 110, a hora custa cerca de 82 reais. Cobrar 90 reais por hora nesse cenário é margem de menos de 10% antes do imposto. Para a parte de encargos e líquidos, use a [calculadora de salário líquido](/tool/calculadora-salario-liquido) e a [calculadora de INSS](/tool/calculadora-inss).
Custos ocultos que aparecem no fim do ano
- Décimo terceiro e férias da equipe, que valem cerca de um terço de uma folha mensal adicional por ano
- Rescisões e passivo trabalhista, que a [calculadora de rescisão](/tool/calculadora-rescisao) ajuda a dimensionar
- Inadimplência média dos clientes
- Retrabalho e garantia
- Custo de aquisição de cliente, quando há tráfego pago
- Depreciação de equipamento e reposição de ferramenta
Ponto de equilíbrio
Com custo organizado, o ponto de equilíbrio sai direto:
Ponto de equilíbrio = Despesas fixas ÷ Margem de contribuição percentual
Margem de contribuição é preço menos custos variáveis, dividido pelo preço. Com fixos de 12.000 reais e margem de contribuição de 40%, o faturamento mínimo é 30.000 reais por mês. Abaixo disso, a empresa consome reserva.
Exemplo consolidado
Serviço vendido a 1.200 reais:
- Execução, 6 horas a 82 reais: 492
- Terceirizado: 80
- Taxa de pagamento, 3%: 36
- Comissão, 5%: 60
- Imposto, alíquota efetiva de 10%: 120
- Custo total: 788 reais
- Sobra: 412 reais, margem de 34%
Sem o custo da hora corretamente calculado, o mesmo serviço aparentaria margem acima de 60%, e o dono acharia que pode dar 20% de desconto.
Perguntas frequentes
Custo e despesa são a mesma coisa?
Não. Custo está ligado à produção ou entrega, despesa à manutenção da estrutura. Para precificação, os dois entram.
Preciso ratear despesa fixa em cada produto?
Sim, de alguma forma. Sem rateio, o preço ignora a estrutura que sustenta a operação.
Como calcular custo em serviço criativo, com tempo variável?
Use média histórica de horas por entrega e revise trimestralmente.
Próximo passo
Monte a estrutura completa no Medidor de Custos e Precificação da Sparta, com custo direto, rateio, hora produtiva e ponto de equilíbrio, e depois aplique a fórmula de [como calcular preço de venda](/sparta/blog/como-calcular-preco-de-venda).